Leilão de Capacidade da ANEEL: O que podemos esperar em 2026?

Os Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), que serão realizados entre os dias 18 e 20 de março de 2026, devem se consolidar como um dos eventos mais relevantes da agenda energética brasileira neste ano. Organizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), com apoio da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o certame busca garantir potência firme ao sistema elétrico em um momento em que o país amplia rapidamente sua participação de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Na prática, o mecanismo de capacidade funciona como um seguro para o sistema elétrico. Em vez de contratar apenas energia gerada, o governo passa a remunerar também a disponibilidade de usinas capazes de entrar em operação quando necessário. Essa lógica ganha importância à medida que o Sistema Interligado Nacional precisa lidar com maior volatilidade na geração, especialmente em períodos de baixa hidrologia ou de forte demanda por eletricidade. A estrutura do leilão foi dividida em duas etapas. No dia 18 de março ocorrerá o LRCAP nº 02/2026, voltado principalmente para termelétricas a gás natural — tanto novas quanto existentes — além de projetos a carvão mineral e ampliações de hidrelétricas. Já no dia 20 de março será realizado o LRCAP nº 03/2026, direcionado a termelétricas existentes movidas a óleo combustível, diesel e biodiesel. Dependendo da tecnologia e das características do projeto, os contratos de disponibilidade poderão chegar a prazos de até 15 anos, oferecendo previsibilidade de receita para os empreendedores e incentivando investimentos de longo prazo no parque gerador. O nível de interesse do mercado sugere uma competição significativa. No cadastramento inicial realizado pela EPE, foram registrados 368 projetos, somando mais de 126 GW de potência declarada — volume bastante expressivo quando comparado às necessidades imediatas do sistema. Desse total, cerca de 125 GW correspondem a projetos termelétricos, o que evidencia o papel central dessas usinas na estratégia de confiabilidade energética do país. Não por acaso, espera-se a participação de alguns dos principais grupos do setor elétrico brasileiro. A Petrobras deve buscar a recontratação de aproximadamente 2,9 GW de termelétricas atualmente sem contrato. Outros grandes players que tradicionalmente participam desse tipo de certame incluem a Eletrobras, a Eneva — que possui um portfólio relevante de térmicas a gás —, além de companhias como Engie Brasil Energia, EDP Brasil, Neoenergia e Equatorial Energia. Também é esperado o interesse de desenvolvedores independentes e investidores internacionais, especialmente em projetos vinculados ao crescimento da infraestrutura de gás natural no país. Mais do que um simples leilão de geração, o LRCAP reflete uma mudança estrutural no planejamento do setor elétrico brasileiro. Com a expansão acelerada das renováveis, garantir potência despachável se torna uma necessidade estratégica. Nesse sentido, o certame de março de 2026 tende a cumprir um papel importante: equilibrar a matriz elétrica, preservar a segurança energética e criar sinais econômicos para novos investimentos. Se bem-sucedido, o leilão poderá reforçar a resiliência do sistema elétrico brasileiro em um momento de transição energética cada vez mais complexa.
Produção, oferta e estoques: sinais do mercado global de petróleo para 2026

Os movimentos observados ao longo de 2025 trouxeram sinais relevantes para a leitura do mercado global de petróleo. Em vez de uma retração significativa da produção, o que se consolidou foi um ritmo mais moderado de crescimento, refletindo maior sensibilidade a preços, custos e disciplina de capital, especialmente entre grandes produtores. Ao entrar em 2026, esse contexto se combina com um cenário de oferta global consistentemente superior à demanda, o que sustenta níveis elevados de estoques e mantém pressão estrutural sobre os preços. A produção permanece em patamares historicamente altos, enquanto o consumo cresce de forma mais gradual, criando um ambiente de equilíbrio confortável do ponto de vista de suprimento. Esse quadro não reduz a importância do setor. Pelo contrário, reforça que a atividade de exploração e produção segue estratégica para as principais economias globais, ainda que inserida em uma dinâmica mais disciplinada. O foco deixa de ser expansão acelerada e passa a ser qualidade de ativos, eficiência operacional e retorno econômico. Nesse ambiente, o início da cadeia ganha relevância adicional. A exploração permanece central para sustentar portfólios de longo prazo, com investimentos mais direcionados e movimentos de consolidação voltados à construção de escala, resiliência e segurança de suprimento em um mercado competitivo. A fusão entre Transocean e Valaris é um exemplo claro dessa leitura estratégica, ao reforçar a busca por ativos de maior qualidade, eficiência operacional e posicionamento robusto no segmento de exploração offshore. Os efeitos desse reposicionamento também se refletem nas operações e no capital humano. Um setor operando com margens mais pressionadas e maior exigência de desempenho tende a demandar profissionais altamente qualificados, capazes de sustentar projetos técnicos, eficientes e alinhados à disciplina financeira. As perspectivas apontam para um mercado global de petróleo bem abastecido, tecnicamente exigente e orientado por eficiência. A exploração e produção permanecem no centro das decisões energéticas globais, não como vetor de crescimento acelerado, mas como base estratégica em um ambiente de maior complexidade e seletividade. Podemos portanto, perceber e concluir que para a oferta de petróleo acompanhe a demanda os investimentos no segmento continuarão acontecendo tanto do ponto de vista de ativos quanto do ponto de vista de pessoas, o que garante um horizonte oportunidades interessante especialmente em posições técnicas e operacionais, que de acordo com pesquisa recente da Bloomberg, serão as menos impactadas pela suposta ameaça da IA ao mercado de trabalho. Mas isso é pauta para a próxima coluna. Um abraço e até lá!